12 de fevereiro de 2012 | Blog Oxente Menina

Ivetização da blogosfera {e outras considerações}

Propaganda de coloração de cabelo: Ivete. Comercial de prato de feijão: Ivete. Companhia aérea, cerveja, esmalte, perfume: Ivete, Ivete, Ivete e… Ivete de novo como garota-propaganda. Das duas uma, ou o agente de Ivete Sangalo colocou sua imagem em promoção e todas as empresas resolveram contratá-la como new face da companhia, ou as agências se trancaram dentro de uma caixa e não conseguem ver mais ninguém.

A cantora baiana está servindo de modelo – mais uma vez – neste post, mas não é exatamente sobre ela que quero falar. Sem desmerecer seu talento, questiono cá com meus botões se Ivete é a única artista nesse país que tem a capacidade de ilustrar um comercial e passar para o público a credibilidade de um produto. Você pode até falar que ela tem muitos fãs, que é carismática e que conquista os consumidores, e eu vou concordar, mas a minha pergunta é se só existe Ivete capaz de fazer isso. Será?

Ivetização da blogosfera

Pegando o exemplo da cantora e trazendo para o mundo dos blogs, percebo uma “ivetização” ao nosso redor. Blogueiras sendo levadas ao patamar de celebridades e sendo vistas como seres supremos e monopolizadores da blogosfera não me parece democrático, muito menos crível. Números de acesso, pageviews, trabalhos anteriores e repercussão fazem o portifólio de uma blogueira, e é claro que esses dados devem ser considerados na hora de avaliar a probabilidade de sucesso de uma ação, mas até que ponto é saudável uma supervalorização e superexposição? Voltando para a máxima de Ivete, será que utilizar as mesmas poucas blogueiras para toda e qualquer ação não põe em risco a credibilidade de um produto?

Leitora não é burra. Não adianta eu chegar aqui no Oxente Menina e falar que meu estilo a partir de agora é pirigue-teen e mostrar um look com uma camiseta curtinha onde lê-se “Chove homem na minha horta” combinada com uma saia de dois palmos de napa roxo-metálico e incentivar as leitoras a comprarem igual. Não condiz com o que eu mostro no blog, não tem nada a ver com a minha personalidade, não dá para querer enganar quem me acompanha. Infelizmente nem toda agência consegue identificar um nicho, e completamente cega pelo brilho dos números, acaba atirando para todos os lados. Ou pior, para o lado errado.

Falei que leitora não é burra, né? Ela também não tem memória curta. Mentir ou mudar de opinião na velocidade da luz é dar um tiro no pé, pois as leitoras assíduas conhecem bem o perfil e os gostos de uma blogueira, e aí uma ação que poderia ser um sucesso acaba sendo prejudicada pelo encanto deturpado de uma agência amadora.

De 1000 a 0

Conversando com Dani recentemente, lembramos o caso de uma empresa que entrou em contato com uma blogueira que cobrou mais de 15 mil para executar um trabalho. O valor estava bem acima do orçamento, por isso a empresa partiu para uma segunda opção e propôs que a 2ª blogueira executasse de graça. Opa, sou a única a perceber um vácuo aí no meio? Sem querer questionar se o valor que foi cobrado pela primeira blogueira é justo ou não, me intriga o parâmetro utilizado por essa agência ao querer enxugar o seu orçamento para zero. Imagino eu, na minha assumida ingenuidade, que qualquer empresa séria determinada a fazer uma ação de marketing tenha um orçamento previamente estabelecido. Se o valor disponível é mil, talvez não consiga contratar quem cobra 5 mil, mas é plenamente possível contratar alguém de mil, duas de 500, ou 4 de 250… faz sentido?

Seria leviano afirmar que a culpa desse caos é de quem se valoriza na blogosfera, e por mais que por vezes eu não concorde com a maneira com que essa valorização é feita {vide o tópico seguinte}, atribuo o maior erro aos profissionais de mídias que não conseguem identificar essas roubadas.

Manipulando números

Falando em roubadas, recentemente fui apresentada ao tal do script quando vi uma blogueira pular, em poucas semanas, de 1500 para 10 mil seguidores no Twitter. Na minha santa tabaquice pensei tratar-se de uma ação muito envolvente que estava gerando esse retorno louvável, até que uma amiga me falou desse programinha que gera seguidores-robôs.

Usá-lo ou não acho que vai da consciência de cada um, mas é injusto que um blog seja selecionado para uma ação legal com números fake, equanto outro que apresente um número menor, porém real, seja preterido. Imagino que não seja fácil para uma agência identificar superficialmente quem age de má fé, mas o trabalho de análise e seleção é delas, não é?

Classe desunida

Por fim, outra coisa que tem me chamado a atenção na blogosfera e que foi levantado pela Andréa, do Diva Diz, em uma outra conversa, é a desunião das blogueiras. Não é que a partir de agora a gente tenha que dar as mãos e começar a cantar a música “arco-íris” da Xuxa, mas puxar o tapete umas das outras tem sido uma prática tão comum nesse meio que desencoraja. Me pergunto do que adianta tentar fazer um trabalho legal se somos orbigadas a ouvir gracinhas de quem faz um trabalho semelhante ao nosso e deveria cultivar o apoio mútuo.

Se por hobby ou por profissão, o reconhecimento dos blogs como trabalho íntegro tem que começar por quem o faz, e tentar educar agências/marcas/empresas é um dos obstáculos que precisamos enfrentar. Levar a sério o seu trabalho e prezar por ele de forma honesta e digna pode não ser suficiente, mas é um bom começo.

 

Mais considerações:

  • Aos fãs de Ivete, quero deixar claro que ela só serviu de exemplo para o post como uma artista cuja imagem está ativa na mídia, que é justamente a comparação que está sendo feita com algumas pessoas na blogosfera. Vale salientar que eu gosto da cantora e não a coloco como exemplo para julgá-la.
  • Aqui no post deixei a minha opinião sobre o assunto, e não tenho a intenção de transformá-la em verdade absoluta. Como em todos os outros posts do blog, os comentários estão abertos seja para concordar ou discordar, porém aviso de antemão que  palavras de baixo calão ou que denigram a imagem de outras pessoas não serão aprovados. Certifique-se de ter compreendido o que foi escrito, inclusive as ironias.
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