30 de julho de 2013 | Blog Oxente Menina

Diário da gravidez: comentários inconvenientes

Gente chata e inconveniente tem em todo canto. É aquele amigo que vem passar o final de semana e acaba ficando o mês inteiro; aquela tia que olha para você e coloca um milhão de defeitos; ou aquela pessoa que faz planos e sempre escala alguém pra ser motorista/babá/prestador de serviço. Chatice – vamos admitir na boa – todo mundo tem, mas tem aquele chato que tem seus banzos e fica na sua {eu!} e aquele chato inconveniente mesmo, que tem que dar pitaco em tudo e quer sempre ser a voz da razão. Quem não conhece alguém assim?

Ainda não consegui discernir se a gravidez nos deixa mais sensíveis e aptas a observar os chatos inconvenientes ao redor ou se são eles que se aproveitam da nossa condição mais vulnerável para se aproximar, porque – PQP! – tem gente que faz questão de abrir a boca pra falar alguma besteira para as grávidas. Não sei que raios de direito elas acham que recebem ao interagir verbalmente com uma gestante, mas o lado bom dessa história é que podemos rebater o comentário com uma à altura e colocar a culpa… bem, nos hormônios!

Com base em relatos de grávidas nos fóruns e grupos dos quais participo, montei uma lista com os comentários mais inconvenientes ouvidos durante a gestação. Se tiver faltado algum importante para acrescentar, joga aí na roda!

“Como você está gorda!” Oi? Grávida ganha peso, sabia? A gravidez não é uma justificativa para assaltar uma delicatessen e roubar todos os brownies, tortinhas e pães recheados, mas é impossível não engordar nenhum grama. O que a gente fala: “É, acabei ganhando alguns quilinhos porque preciso alimentar bem o bebê”. O que a gente tem vontade de falar: “Você também está grávida? Também está mais fortinha”. Eu odeio a palavra “fortinha” com todas as minhas forças, por isso que na hora de ofender é a primeira que vem à minha cabeça.

“Eu só engordei 3 quilos na minha gravidez”. Parabéns para você. Quer subir num pedestal para receber aplausos e flores? Essa história de ficar comparando dá nos nervos! Tudo bem compartilhar sua experiência, mas ficar repetindo o disco no intuito de deixar a futura-mamãe com a consciência pesada é um saco. Cada mulher tem experiências diferentes durante a gravidez, e tipo físico e genética diferentes. O que a gente fala: “Que bom para você”. O que a gente tem vontade de falar: “Continuou magrinha e continuou feia“.

“Nossa, como a sua barriga está grande/pequena para esse estágio da gestação!”. Qual é a sua, colega? Está querendo deixar a grávida “noiada”. Se os próprios médicos dizem que cada gravidez é única, porque esse povo inconveniente fica querendo colocar na nossa cabeça que tem algo errado na nossa gestação? O que a gente fala: “A médica disse que eu e o bebê estamos ótimos”. O que a gente tem vontade de falar: “Comparada ao seu bucho de cerveja minha barriga realmente está imperceptível”.

“A minha médica é a melhor do mundo!” Que bom, case com ela. O importante para as grávidas é que elas se identifiquem com a obstetra, sintam confiança e que a médica passe a segurança e tranquilidade que as gestantes precisam. Quem quiser trocar pode pedir recomendação, mas a maria-pitaco não precisa ficar fazendo o papel de relações públicas de ninguém. O que a gente fala: “A minha aceita o meu plano e eu gosto muito dela”. O que a gente tem vontade de falar: “A sua médica deve estar pedindo a Deus que você não engravide novamente para ela nunca mais ter que olhar para a sua cara”.

“Se eu fosse você…”. Já começou errado. Você é você e eu sou eu. Vá tomar conta da sua vida. {Acho que eu nunca falei isso diretamente para uma pessoa, mas já tive vontade. E vocês?} O que a gente fala: “Obrigada por compartilhar sua opinião comigo”. O que a gente tem vontade de falar: “Graças a Deus você não sou eu, senão eu já teria pulado de uma ponte”.

“Isso é frescura sua!”. Gravidez não é doença, mas o corpo muda. Fato! Algumas mulheres se cansam facilmente, outras tem uma energia que só Deus sabe de onde vem. Algumas sentem dores, as pernas incham, a coluna reclama; outras passam a gravidez toda como se estivessem em cima de uma passarela só com uma leve protuberância na barriga, só sentem alterações na hora de parir. Dizer que uma reclamação de uma grávida é frescura é chato e insensível. O que a gente fala: A gente engole calada e fica com vontade de chorar. O que a gente tem vontade de falar: Nada. A gente sente uma vontade gigante de apertar os peitos dessa pessoa na época em que ela estiver na TPM.

“Ande direito! Por que você está andando assim?”. Ah, porque achamos elegante andar feito uma pata choca, sabe? Não é porque a barriga pesa, as costas doem, nada disso… O que a gente fala: “Porque tenho dores”. O que a gente tem vontade de falar: “Porque estou tentando imitar a sua avó, sua infeliz!”

“Você está mesmo grávida? Nem parece.” Em meio àquela felicidade sem fim que você está sentindo por estar carregando outra vida dentro de você, eis que aparece um imbecil para fazer um comentário desses. A sorte é que a felicidade é tão grande que a gente consegue relevar o comentário numa boa. O que a gente fala: “Sim, é porque está no começo ainda”. O que a gente tem vontade de falar: “Não, idiota, eu engoli uma jaca e pensava que estava grávida. Quando fui ao banheiro a suposta gravidez sumiu”.

“Já estava mais que na hora. Na sua idade eu já tinha três filhos.” Que mania chata é essa que as pessoas tem de achar que podem ditar o rumo de nossas vidas, hein? Devem pensar que a vida delas é super exemplar para quererem que a nossa seja igual. E afinal de contas quem são elas para dizerem qual é a hora certa para a gente tomar nossas decisões? O que a gente fala: “Está vindo na hora certa”. O que a gente tem vontade de falar: “Nessa época eu estava virada na farra e pegando geral, inclusive seu marido”.

“Na minha gravidez eu não quis saber o sexo do meu bebê, você também deveria esperar a surpresa.”  O que a gente fala: “Queremos montar o enxoval de acordo com o sexo da criança”. O que a gente tem vontade de falar: “Em 1912 os adventos da medicina não eram como hoje.”

“Você é louca de ter um filho no mundo cão em que a gente vive!” O que a gente fala: “Ser mãe é uma realização para mim”. O que a gente tem vontade de falar: “Por que você não se mata? Menos um inconveniente no mundo”.

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