Minha cesárea humanizada

Que infartem as ativistas de plantão ao ler o título desse post. Cesárea humanizada? “Impossível!”, algumas dirão; “Ela só quer causar”, outras publicarão e discutirão em um grupo qualquer do Facebook; “De acordo com a OMS, através do Ministério da saúde, foi constatado que a mãe do Oxente Baby mentiu”, a moderadora fodona de um outro grupo irá declarar. Não importa, nada do que disserem irá mudar o fato de quem eu tive um parto extremamente bem assistido e bem cuidado. É, eu tive um parto cesárea humanizado.

Estamos acostumados a ouvir o termo “parto humanizado” atribuído ao parto normal. Nem vou me ater aqui aos benefícios e/ou malefícios de cada um, já dei minha opinião sobre parto normal x parto cesárea, e essa discussão, pelo menos nesse post, não é relevante {e antes que as ativistas arranjem uma brecha para discutir, o espaço nos comentários está sempre aberto}. Na minha humilde opinião, humanizado é tudo aquilo que recebe dedicação, uma atenção especial dada por alguém, geralmente acompanhada – mas não obrigatoriamente – de carinho. Dentro desse entendimento, não consigo arranjar termo mais adequado para descrever o meu parto.

No dia do nascimento de Luca eu cheguei à maternidade tranquila, até parei para comprar flores antes {na minha santa ignorância eu não sabia que não podia levar flores para o hospital} e ainda tive tempo de arrumar a mesa de lembrancinhas e doces. Mas foi só a enfermeira chegar para me levar para a sala de cirurgia que a tremedeira começou. De repente o ar-condicionado ficou mais gelado, o ar ficou mais pesado, a respiração começou a ficar ofegante. Eu estava oficialmente nervosa.

Ainda na cadeira de rodas a caminho da sala comecei a sentir as primeiras demonstrações de carinho vinda de estranhos. A pediatra, que eu ainda não conhecia, veio me cumprimentar, as enfermeiras que cruzavam o meu caminho elogiavam a maquiagem dos meus olhos, os médicos usavam do bom humor para me distrair e me manter calma. Achei que essas distrações fossem de fato me tranquilizar, mas de repente caí no choro – naquela hora eu só queria a minha mãe, queria colo, queria que meu bebê chegasse logo mas ao mesmo tempo estava com medo de que algo desse errado na hora de recebê-lo, e foi nesse momento que mesmo sem a minha mãe ali, senti como se ela estivesse. A minha obstetra, Dra. Sônia, sentindo minha ansiedade veio me acalmar, deitou minha cabeça no ombro dela e começou a fazer massagens no meu ombro para que eu conseguisse relaxar um pouco, enquanto falava de como o meu pré-natal havia sido ótimo, de como todos os exames foram bem, de como tudo daria certo e em breve o meu bebê lindo e saudável estaria ali comigo. Relaxei, o peso nos meus ombros diminuiu. Dr. Renato, o anestesista, também conversava comigo, ora fazendo brincadeiras sobre o time de futebol do bebê, ora dizendo que se eu chorasse a maquiagem que tanto elogiaram iria borrar. A tão temida anestesia raquidiana foi aplicada que eu nem senti…

Durante a cirurgia propriamente dita eu e meu marido éramos informados o tempo todo do que estava acontecendo, e a menos que estivesse dopada demais para compreender a entonação das palavras, tudo era dito com muita atenção e carinho. Quando Luca nasceu, enquanto era levado para limpar, Dr. Renato Cabral entrando no momento de euforia ainda pegou o celular dele e me pediu o número de algum familiar para dar a notícia do nascimento do baby, quem recebeu a primeira ligação foi a minha mãe – a Oxente Vovó – que por motivos de força maior não pode estar em Recife no nascimento do neto.

Diante de tanto carinho e atenção, não me importo de não ter tido o “parto ideal”, acho que o ideal é o que atende às nossas necessidades. Só tenho a agradecer a toda a equipe que contribuiu para que o momento da chegada de Luca fosse o mais perfeito, em todos os sentidos.

Nota: como as pessoas ADORAM distorcer palavras, deixo claro aqui que eu NÃO estou dizendo que cesárea é melhor que parto normal; eu NÃO sou contra parto normal; eu NÃO estou incentivando ninguém a preferir cesárea em vez de PN. Sou contra radicalismos e totalmente a favor do respeito e direito de escolha.

 

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20 comments Add yours
  1. “De acordo com a CDG (Coisas da Gigi), depois de aberta uma cadeira de estudos em Harvard, Cambridge e Bridget Jones e através do Ministério das Mães que fizeram Cesárea, foi constatado que a mãe do Oxente Baby tá certa pra cacete” O mais importante é primar pela saúde do bebê e tranquilidade da mãe. E ponto e ponto com ponto br.

  2. “… acho que o ideal é o que atende às nossas necessidades. ” é isso mesmo
    essa guerra/richa pra ver qual é o melhor já me estressou e a frase que escreveu é a pura verdade.
    Que bom que foi tudo ótimo, e esse nervosismo antes de entrar na sala acho que todas sentem, me lembro muito bem.
    Ana Lú boas festas pra vc e sua família aproveitei muito Luca pois eles crescem tão rápido .
    bjus bete

  3. Ana Lu, estou na casa dos meus pais, sem muito tempo pra comentar!! Mas quero voltar aqui com mais calma pra contar como a minha cesárea tb foi pra lá de humanizada!!
    A pediatra que pegou o Dante no parto, desconhecida até o momento, é quem acompanha ele até hj!
    Feliz Natal pra vc e sua família! Que em 2014 vcs possam multiplicar a felicidade que já tem!
    Grande beijo!

  4. Que coisa mais lindaaa!!!
    Eu que estou aqui com 32 semanas e já com medo do meu parto, fiquei mais tranquila agora!!! Pela segunda vez vc me ajudando com seus posts!!!
    A primeira vez foi quando estava com o hematoma, que vc tb teve, lembra???
    Continue assim, sempre ajudando o próximo!!
    Muita saúde para o Luca!!!!
    Beijos,
    Nique!!! :-)

    1. Nique, tá pertinho, né? Nas últimas semanas o coração fica a mil.
      Acho que quando a gente compartilha a experiência acaba trazendo algum alívio para quem está passando pelo mesmo. O descolamento do saco gestacional foi um dos momentos de maior aflição da minha vida, e eu gostaria de ter lido algo reconfortante, mas não li e acabei sofrendo sem necessidade. Fico feliz de saber que aquele post deixou algumas mãezinhas mais tranquilas. :)
      Quanto ao parto, fique tranquila e peça proteção a Deus, e vai sair tudo perfeito.
      Beijão e feliz Natal pra vc!!!

  5. Oi Ana Lu!
    Estava com saudades dos seus posts! E o Luquinha?! Vai bem? Mande um beijão para ele! Sua obstetra percebeu alguma coisa errada no dia do parto, ou percebia que era melhor para vc e o bebê? Mas, estou feliz que ambos estiveram bem e seu esposo deu uma força daquelas! Um feliz natal para vc e sua família! Beijos!

    1. Mandy, agora estou conseguindo voltar. Aos poucos, mas to! :)
      Não teve nada errado no dia do parto, eu que fiquei muito nervosa mesmo, porque morro de medo de cirurgia. Eu e Luca estávamos ótimos, e ela tentou me tranquilizar para que meu nervosismo não acabasse me prejudicando de alguma forma.
      Beijão e feliz ano novo!!!

  6. Lindona, também acredito em cesárea humanizada. Só posso fazer cesárea – por motivos de saúde – e as minhas foram lindas, todas. Semana que vem, parto pra minha terceira e última…Davizão chegando. Fiquei emocionada com teu relato e desejo toda a felicidade do mundo pra ti e pra Luquinha. Beijos gigas proceis!

    Ana Seidel

  7. Nossa, vc disse tudo! Adorei o seu post e me identifiquei muitoooo “Parto ideal é aquele que atende as nossas necessidades”, assim como do nosso Bebê. To 18 semanas e por “enes” motivos não quero um parto normal, mas assim, como vc, um parto cesária humanizado.Chegar na maternidade toda bonita e feliz.
    Tenho tantos receios e ainda assim, ansiosa, contando os dias para meu Matheus transformar minha vida e do meu marido. Essa definitivamente é a melhor espera do mundo!

  8. Ana Lu, que lindo seu post, seria bom se mais pessoas pensassem assim, meu primeiro parto (de gêmeas e pré-eclampsia) teve que ser cesária, o que me deixou um pouco frustrada. Mas foi também super lindo e humanizado, vou para a segunda cesária super tranquila e de mente aberta.

    1. Ai que lindo, gêmeas!!! Quem sou eu pra dizer se você deve ou não ficar frustrada, mas acho a chegada de um bebê um momento tão sublime que sinceramente a via é o menos importante (contanto que mamãe e bebê estejam bem, claro!). Fico até pensando se sou anormal por não sentir a frustração de não ter tido um parto normal, mas cada vez que olho pra Luca penso que o que interessa é que ele está aqui e isso me basta. Fico feliz que você esteja de mente aberta para receber o próximo bebê de uma cesárea, mamãe tranquila, bebê feliz. :) Bjossss

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