A arte de desvirtuar de um assunto | Blog Oxente Menina

A arte de desvirtuar de um assunto

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Para fazer uma feijoada, de véspera coloca-se o feijão e as carnes de molho. No dia seguinte cozinha-se o feijão, lombo, charque, toucinho, paio, calabresa; depois acrescenta-se o tempero refogado que foi feito à parte com cebola, alho e azeite. Tudo misturado acrescenta-se o sal, o doce-de-leite, pisco peruano, sabão em pó, água de lastro… Eita, peraí! Nos desvirtuamos da receita. Parece que deu m*.

No mundo virtual, em especial nas redes sociais, temos o costume de fazer exatamente isso, a arte natural de desviar de um assunto – seja para aparecer, para fazer alguém se sentir culpado ou pela euforia do falar antes de pensar. Como se não bastasse o fato de não podermos opinar sem ouvir contra-argumentos e ofensas por não partilhar de uma mesma opinião, o talento para a interpretação equivocada é maior – se brincar – do que a arte de compartilhar besteira no Facebook {tá, atire uma pedra que não gosta dessas mensagens bobas}. O curso que se segue às interpretações resultam em discussões acaloradas e cliques no botão “desfazer amizade”.

Se existir um órgão para computar informação nonsense, nessas últimas semanas – em especial na última – ele provavelmente registrou as estatísticas mais altas. Copa, 7×1, falta de hospitais, rivalidade Brasil x Argentina, saúde pública no Brasil, crianças palestinas, cerveja derramada, maquiagem azul, David Luiz chorando, ajude Sofia, a roupa de Cláudia Leitte, ajude Pedrinho, choveu, culpa de Dilma, culpa de quem não gosta de Dilma, máfia de cambistas… Sim, tudo isso foi assunto, tudo tem seu devido lugar, sua devida importância. O nonsense não está na falta de serviços dignos na saúde pública, o problema é querer culpar quem comprou uma sombra azul para assistir ao jogo do Brasil por isso. O conflito entre Israel e Palestina é preocupante – rezemos! – mas não adianta culpar por isso alguém que comentou que Thomas Müller é bom jogador. E ai de quem achar que a rivalidade entre Brasil x Argentina é bobagem – ajoelha no milho e recita “Cristina Kirchner” de trás pra frente 100 vezes, pecador!

Infelizmente não podemos curar as dores do mundo por nos sentirmos bem. Nem podemos apagar todas as falcatruas que acontecem em nosso país por fazer algo pelo nosso próprio bem estar. A teoria da conspiração que paira nas redes sociais diante das coisas mais irrelevantes às mais importantes chega a assustar tamanha é a imposição dos que defendem seus argumentos – e nos fim das contas tanto se fala, tanto se brinca, tanto se lamenta, e ninguém sabe ao certo o que é verdade e o que é mentira, dando margem para mais uma rodada de argumentos e ataques à integridade mental.

Não distorça as palavras, não coloque o foco dos problemas em coisas que não tem a ver com o que está sendo dito. E em vez de julgar e ficar apontando o dedo para quem está supostamente errado, levanta a bunda dessa cadeira e vá você fazer alguma coisa pelos outros – ou algo útil para si mesmo.

Em tempo: as campanhas Ajude o Pedrinho a continuar sorrindo e Ajude a Sofia continuam em vigor. Não precisa alardear sobre o valor que você doou, o que estiver dentro de suas possibilidades – seja muito ou pouco – é importante para ajudar esses pequenos.

 
{Prevejo que ainda terei que explicar meu ponto de vista porque alguém irá interpretar meu texto como sendo uma campanha para salvar o Fuleco da extinção}

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6 Comentários

  1. Li Arruda
    11 de julho de 2014

    Seus textos são ótimos, Ana Lu. Parabéns! :)

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  2. Tomatecomacucar
    11 de julho de 2014

    Excelente texto e concordo com praticamente tudo! Bjs

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  3. Amanda
    14 de julho de 2014

    Oi Ana Lu,
    O seu texto foi (e continua sendo) brilhante! E o pior que isso não acontece somente nas redes virtuais, nas redes reais tb! E ai de vc, se vc tenta mostrar o seu ponto de vista ou pelo menos o parecer mais correto. Beijos!

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    • Ana Lu - Blog Oxente Menina
      14 de julho de 2014

      Ninguém precisa concordar com a opinião do outro, mas respeitar é o mínimo.
      E não sou contra discussões (até gosto!), o que não curto são as agressões.
      Bjossss

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