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[DYI] Diário de bordo para crianças

Dizem que uma viagem se divide em três etapas: planejar, vivenciar e relembrar. Eu não poderia concordar mais! Sou daquelas pessoas que já começa a viajar fazendo o planejamento, mesmo que seja para uma trip de dois dias de Recife para Gravatá (Alô, universo, está na hora de mandar uma viagem internacional pra família aqui!). A parte de relembrar eu confesso que não curto tanto, porque bate aquela saudade e eu fico morrendo de vontade de voltar, de reviver tudo de novo.

Luca ainda é muito pequenininho para entender a organização de uma viagem, mas meu marido não é tão empolgado como eu para essas coisas, geralmente só se anima mais no destino mesmo, e eu queria encontrar um jeito de envolver o pequeno junto comigo no período pré-viagem. A solução encontrada foi criar um diário de bordo para ele.

Sei que existe esse tipo de material pronto à venda em papelarias, mas como grande adepta do faça-você-mesmo, achei melhor criar um que ficasse do meu jeito. Optei por criar uma imagem no Photoshop com um mapa-múndi bem colorido e algumas fotos de Luca com a família em viagens anteriores, e mandei imprimir em papel adesivo vinil. Para que não é muito familiarizado com editores de imagens, uma alternativa é cobrir com papel contato na cor desejada para o fundo (só para não ficar aparecendo a capa original do caderno, caso ela não seja lisa), colar imagens de lugares ou fotos da família e cobrir com papel contato transparente.

Esse caderninho que eu comprei é de capa dura e possui as folhas em branco – ponto super importante, porque eu não queria o papel pautado para não comprometer o visual interno. Ele mede cerca de 140 x 200 mm e custou menos de R$ 5 na Kalunga.

A minha ideia agora é imprimir imagens do destino, a tag personalizada que eu sempre faço quando viajamos de avião (tipo essa aqui), e colar nas páginas antes e durante a viagem, sempre anotando as impressões dele sobre o lugar. As brochuras dos hotéis e ingressos das atrações também são detalhes interessantes para colar, bem no estilo das agendas que a gente fazia quando era adolescente.

Estou bem animada para começar, espero que Luca ache tão empolgante quanto eu! Na pior das hipóteses, vai servir como caderno para ele desenhar e se distrair no trajeto.

10 lugares para visitar antes que sumam do mapa

Meio sensacionalista esse título, mas não é de todo sem sentido. O mundo passa por constantes mudanças políticas, sociais e ecológicas, e, em meio a tantas transformações, aquele destino que você sonha em conhecer pode sofrer alterações ou até deixar de ser viável para uma visitinha. Pensando nisso, o Skyscanner sugeriu uma lista de 10 lugares para se visitar antes que mudem (ou sejam engolidos!). Pelo visto vou ter que me apressar, pois alguns desses destinos estão naquela lista do “não posso morrer sem conhecer”.

Templos de Bagan – Mianmar 

Os Templos de Bagan, em Mianmar (antiga Birmânia), são conhecidos mundialmente pelos centenários pagodas budistas construídos entre os séculos X e XIV. Passeios de balão que sobrevoam a área são comuns para apreciar ao máximo essa composição que une religião, história e natureza.

Infelizmente, em agosto de 2016, mais de 60 templos da região foram danificados por um terremoto de magnitude 6,8, que chegou a ser sentido até na Tailândia. Devido à idade dos pagodas e à localização geográfica do país (próximo as extremidades da placa tectônica indiana), os Templos de Bagan estão em vulnerabilidade e correm o risco de desmoronar ao longo dos anos.

Cuba

 

A ilha caribenha, marco da Guerra Fria, é o único país ainda socialista do Ocidente. Desde 2016, uma série de medidas passaram a buscar a abertura econômica de Cuba, inclusive a retomada das relações com os EUA. As consequências do acordo já foram sentidas no turismo: em 2016, o país bateu o recorde de turistas com 4 milhões de visitantes, um crescimento de 13% em comparação a 2015.

Além de possíveis mudanças estruturais, estima-se um enorme crescimento dos investimentos em hotelaria para os próximos 20 anos, o que deve alterar o charme da ilha. Enquanto Havana é procurada pela importância histórica, Varadero, a apenas 2h da capital, desponta pelas praias paradisíacas.

Ilhas Maldivas

O conjunto de ilhas é referência para um estilo de hotel que se multiplicou nos últimos anos: bangalôs sobre águas cristalinas. Mas o motivo de sua beleza e destaque turístico talvez também seja o seu fim. Entre as mais de mil ilhas, 80% delas estão apenas a um metro acima do nível do mar.

Devido ao aquecimento global e ao decorrente aumento do nível do mar, estima-se que as Maldivas possam desaparecer nos próximos 100 anos. Na mesma situação está Tuvalu, um estado da Polinésia formado por mais de 30 pequenas ilhas.

Ha Long Bay – Vietnã

A baía de Ha Long é uma visão difícil de aceitar como verdadeira: são mais de 1.600 ilhas cobertas de vegetação e, a maioria, sem formações de praia. Há muitos anos já se percebe mudanças ecológicas na região devido às vilas de pescadores sobre as águas, à pesca em grandes proporções e, é claro, ao turismo.

Para barrar a deterioração desse patrimônio mundial da UNESCO, algumas medidas vêm sendo tomadas pelo governo vietnamita. Apesar de diminuir a quantidade de turistas e barcos admitidos por dia, moradores locais reclamam que pouco foi feito em relação ao transporte de carvão pela baía, um dos maiores poluidores das águas.

Enquanto isso, o governo estuda realocar esses moradores que, além de viverem no local há muitas gerações, fazem parte do patrimônio cultural de Ha Long Bay.

 Veneza – Itália

Uma das cidades mais românticas e turísticas do mundo corre risco de desaparecer. Construída ainda no século X, Veneza vem afundando lentamente nas últimas décadas devido ao processo natural de deslizamento dos sedimentos da lagoa sobre a qual foi posicionada. Essa situação, que não é grande novidade, tem sido agravada nos últimos anos em decorrência do aumento do nível do mar. Estima-se que, até o final do século XXI, grande parte das ilhas que formam a cidade estará debaixo da água.

Machu Picchu – Peru

A cidade perdida dos Incas é uma das importantes relíquias desse enorme império pré-colombiano. O conjunto de construções, datados da segunda metade do século XIV, apresenta praças, santuários, fontes, torres, tumbas, residências. Tudo em meio às montanhas verdes da cordilheira peruana.

Uma das 7 maravilhas do mundo moderno, o sítio arqueológico corre risco de desabar devido à localização geográfica (a 2.400m de altitude), à idade das construções e às décadas de turismo desregrado. Por isso, estipulou-se um limite de 2.500 visitantes por dia e todos cuidados devem ser tomados para não degradar ainda mais esse patrimônio mundial.

Floresta Amazônica

Localizada em 9 países da América do Sul, já faz tempo que a maior floresta tropical do mundo corre sérios perigos. Devido à economia substancialmente agrícola do Brasil, onde está sua maior extensão, milhares de quilômetros de mata têm sido desmatados para dar lugar a plantações e criação de gado – estima-se que 22.392 km² de floresta sejam perdidos por ano.

Por sua riquíssima fauna e flora, a floresta é um dos 10 Lugares para visitar antes que sua diversidade acabe. Outro quesito importante ligado à preservação da Amazônia, é frear o genocídio do povo indígena. Entre os 180 povos que ainda vivem na região, a maioria não passa dos 1.000 representantes e um deles, a tribo Akuntsu, é formada por apenas quatro.

Grande Barreira de Corais – Austrália

Muitos cientistas consideram a Grande Barreira de Corais o maior organismo vivo do planeta – são mais de 2.300 km de comprimento, visíveis até do espaço. As águas azuis cristalinas são moradia de milhares de espécies marinhas que se dividem entre os mais de 2900 recifes, 600 ilhas continentais e 300 atóis de coral.

Já faz anos que o governo australiano vem notando e tentando frear a deterioração do local e até mesmo turistas podem perceber a diferença: as cores intensas dos corais estão se apagando. Essas mudanças são decorrentes da elevação na temperatura e da poluição dos oceanos; alguns estudos apontam que a barreira pode deixar de existir nos próximos 100 anos.

Recife – Brasil

Quem visita a capital pernambucana pela sua beleza e atrações culturais, ou como ponto de partida para as praias do litoral, pode nem perceber que Recife tornou-se um dos maiores centros urbanos do Brasil. A região metropolitana da cidade conta com quase 4 milhões de habitantes.

Se já não bastasse a enorme população e o crescimento urbano desorganizado, os rios que banham a cidade, Capibaribe e Beberibe, estão, há anos, sendo poluídos com esgoto e lixo. Tal situação é consequência do descaso público: parte significativa da população de Recife não possui saneamento básico.

Muralha da China

Uma das mais impressionantes construções da história da humanidade, a Muralha da China começou a ser erguida em 200 a.C. durante a China Imperial. Além da erosão natural causada pelo vento, os quase 9 mil quilômetros de extensão tornam o monitoramento extremamente difícil, fazendo de seu maior atributo, uma dificuldade.

Sem a possibilidade de fiscalização intensa, o vandalismo e a venda ilegal de tijolos vêm ameaçando a estrutura da muralha. Pode parecer pouca coisa, mas é importante lembrar que mais de 10 milhões de pessoas visitam a muralha todo ano, então se cada um levar uma lembrancinha para casa…

Rapadura Hamburgueria: um lugar para conhecer em Natal

Saber dos pontos turísticos de um destino é legal, principalmente quando é a primeira vez indo para aquele lugar. Mas as melhores dicas de viagens, pelo menos na minha opinião, são aquelas dadas pelos locais ou por aquelas pessoas que já são de casa, de tanto que visitam o lugar.

Em Natal eu tenho a minha família como fonte de informação, e foi uma prima minha que falou da Rapadura Hamburgueria quando perguntei onde tinha um sanduíche bom na cidade. A Rapadura tem uma pegada nordestina, tanto nos nomes no sanduíche como nos complementos e na decoração {um passeio pelo rústico, vintage e artesanal}. Eu não queria um sanduichinho qualquer, queria um diferente, daqueles inesquecíveis e que deixam saudade. Bingo! {Aliás, só de escrever esse post, a vontade de me teletransportar para o Rapadura é gigantesca}.

O esquema lá é diferente, você não simplesmente chega, senta e faz seu pedido. Primeiro é preciso passar o seu nome e a quantidade de pessoas que estão com você para a hostess e aguardar um pouco. Enquanto isso você pode olhar o cardápio escrito a giz no quadro perto do caixa e escolher o seu pedido – não vou mentir, é um momento de muita indecisão. Quando a sua mesa é liberada, a própria hostess pede que você se encaminhe para o caixa para fazer o seu pedido. É como nas lanchonetes fast-food: você paga antes de receber o seu pedido.

Com o pedido feito, você entrega a nota no balcão que fica entre o caixa e o salão e se encaminha para o seu lugar. Quando o seu pedido fica pronto, seu nome é chamado pelo megafone e você vai lá buscar. Hora de se empanturrar!

Fui duas vezes à Rapadura, na primeira sem o meu marido, e na segunda com a desculpa de ter que levá-lo para conhecer. Da primeira vez experimentei o Pipa, com pão de jerimum, muçarela, cebola caramelizada, gorgonzola e tomate. O molho veio separado {em uma latinha de um extrato de tomate que tinha o Jotalhão na embalagem – tudo bem vintage!}, e era delicioso também. Da segunda vez experimentei o Pium, com pão de rapadura, muçarela, bacon e tomate. Muito gostoso, mas o Pipa é indiscutivelmente mais saboroso. Anota aí essa dica: vai de Pipa, meu bem.

Então tá, né? Com o botão da calça já desabotoado e lanche pago, é hora de ir embora rolando. Na-na-ni-na-não! Como o esquema é todo self-service, não tem ninguém para recolher a sua sujeira, você que precisa levar sua bandejinha até a saída e separar o que é lixo e o que é lata/vidro. Cuidado para não acabar jogando as latinhas fora, alguém que estava comigo, num surto de leseira, quase fez isso.

O lanche na Rapadura não é baratinho, mas achei o preço justo pelo tamanho do sanduíche. Da primeira vez não aguentei comer todo, da segunda vez fui preparada e cheguei lá morrendo de fome. Eu não recomendo, por exemplo, que você peça um sanduíche + um milkshake. Não é impossível, mas talvez você precise sair de lá rebocado.

Serviço: Rapadura –  R. Dr. Manoel Augusto Bezerra de Araújo, 139-141, Ponta Negra – Natal/RN (ao lado do castelo do Taverna Pub)

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