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Rapadura Hamburgueria: um lugar para conhecer em Natal

Saber dos pontos turísticos de um destino é legal, principalmente quando é a primeira vez indo para aquele lugar. Mas as melhores dicas de viagens, pelo menos na minha opinião, são aquelas dadas pelos locais ou por aquelas pessoas que já são de casa, de tanto que visitam o lugar.

Em Natal eu tenho a minha família como fonte de informação, e foi uma prima minha que falou da Rapadura Hamburgueria quando perguntei onde tinha um sanduíche bom na cidade. A Rapadura tem uma pegada nordestina, tanto nos nomes no sanduíche como nos complementos e na decoração {um passeio pelo rústico, vintage e artesanal}. Eu não queria um sanduichinho qualquer, queria um diferente, daqueles inesquecíveis e que deixam saudade. Bingo! {Aliás, só de escrever esse post, a vontade de me teletransportar para o Rapadura é gigantesca}.

O esquema lá é diferente, você não simplesmente chega, senta e faz seu pedido. Primeiro é preciso passar o seu nome e a quantidade de pessoas que estão com você para a hostess e aguardar um pouco. Enquanto isso você pode olhar o cardápio escrito a giz no quadro perto do caixa e escolher o seu pedido – não vou mentir, é um momento de muita indecisão. Quando a sua mesa é liberada, a própria hostess pede que você se encaminhe para o caixa para fazer o seu pedido. É como nas lanchonetes fast-food: você paga antes de receber o seu pedido.

Com o pedido feito, você entrega a nota no balcão que fica entre o caixa e o salão e se encaminha para o seu lugar. Quando o seu pedido fica pronto, seu nome é chamado pelo megafone e você vai lá buscar. Hora de se empanturrar!

Fui duas vezes à Rapadura, na primeira sem o meu marido, e na segunda com a desculpa de ter que levá-lo para conhecer. Da primeira vez experimentei o Pipa, com pão de jerimum, muçarela, cebola caramelizada, gorgonzola e tomate. O molho veio separado {em uma latinha de um extrato de tomate que tinha o Jotalhão na embalagem – tudo bem vintage!}, e era delicioso também. Da segunda vez experimentei o Pium, com pão de rapadura, muçarela, bacon e tomate. Muito gostoso, mas o Pipa é indiscutivelmente mais saboroso. Anota aí essa dica: vai de Pipa, meu bem.

Então tá, né? Com o botão da calça já desabotoado e lanche pago, é hora de ir embora rolando. Na-na-ni-na-não! Como o esquema é todo self-service, não tem ninguém para recolher a sua sujeira, você que precisa levar sua bandejinha até a saída e separar o que é lixo e o que é lata/vidro. Cuidado para não acabar jogando as latinhas fora, alguém que estava comigo, num surto de leseira, quase fez isso.

O lanche na Rapadura não é baratinho, mas achei o preço justo pelo tamanho do sanduíche. Da primeira vez não aguentei comer todo, da segunda vez fui preparada e cheguei lá morrendo de fome. Eu não recomendo, por exemplo, que você peça um sanduíche + um milkshake. Não é impossível, mas talvez você precise sair de lá rebocado.

Serviço: Rapadura –  R. Dr. Manoel Augusto Bezerra de Araújo, 139-141, Ponta Negra – Natal/RN (ao lado do castelo do Taverna Pub)

Bicho-de-pé: como identificar, tirar e tratar

Uma companhia inesperada resolveu se juntar a nós durante a nossa viagem para Natal. Depois de visitarmos algumas praias e lagoas, um visitante surpresa resolveu se alojar no pé de Luca: um bicho-de-pé. 

Fazia tanto tempo que eu não via e nem ouvia falar de um bicho-de-pé, que quando descobri a bolhinha no pé do meu filho fiquei na dúvida se realmente era um – coisa que a vovó dele confirmou assim que viu. O aspecto é de uma bolha com um pontinho preto, como um olho. Acredito que quando descobrimos estava bem no comecinho, porque costuma coçar bastante, mas Luca em momento algum reclamou de coceira (ou vai ver estava gostando).

O bicho-de-pé é mais comum em regiões quentes e de solo arenoso, e o parasita se aloja na pele através do contato com o solo contaminado (através de fezes e urina de animais, por exemplo). Impossível saber se Luca pegou o bicho-de-pé na praia ou na lagoa, porque qualquer um desses lugares é passível desse tipo de contaminação e é impossível saber se um pedacinho daquela areia em que estamos pisando está propenso a isso.

Quando a gente identifica um bicho-de-pé, todo mundo tem história pra contar: “Quando eu morava na granja, a minha avó tirava bicho-de-pé dos meus primos com um espinho de limoeiro…” ou “Meu pai levava uma agulha na mala quando a gente viajar, porque na casa de praia do meu tio eu sempre pegava bicho-de-pé…”, e por aí vai. E por mais que tirar o bicho-de-pé com uma agulha fosse muito comum na nossa época, ou na dos nossos pais e avós, é muito mais prudente e seguro procurar um dermatologista ou podologista para resolver. Isso porque quando alojada no pé, a fêmea (sim, é ela quem entra para fazer a bagunça!) pode deixar ovos, e se não forem devidamente retirados podem se proliferar novamente. Além do mais, é preciso que os instrumentos estejam esterilizados.

Fomos na All Pé Dr. Scholl’s da Romualdo Galvão, com Luca super animado para tirar e ver o bichinho que estava no pé dele. Fomos atendidos por Dayane, que teve toda a sutileza e tato para lidar com uma criança de 3 anos, contando a ele cada passo do procedimento com brincadeiras e palavras que ele compreendia e o deixavam interessado. Ele foi corajoso e se comportou muito bem, não reclamou em momento algum, parecia mais uma programação de férias do que uma questão de saúde para resolver.

No mesmo dia em que o bichinho é retirado da pele, a recomendação é de não molhar o pé (pelo menos a área afetada, se possível) e passar uma pomada indicada. Eu sempre fazia uma limpeza no dedinho de Luca e usava Nebacetin e cobria a região com Micropore, com uns dois dias já era perceptível que a “cratera” aberta pela retirada do bicho ia se fechando e voltando ao normal. 

Por mais assustador que seja para os pais em um primeiro momento, bicho-de-pé não é coisa de outro mundo e a retirada e o tratamento são muito simples. A minha dica é que, por mais simples que seja e por maior que seja a vontade de cutucar o pé de alguém (ou o seu) com uma agulha, procure um profissional capacitado para resolver o problema. 

Ah, e depois Luca voltou a pisar e a brincar na areia. Sei que isso vai de cada mãe, mas achei melhor não forçá-lo a usar sapatos fechados e nem impedi-lo de pisar na areia descalço. Criança precisa brincar, e essas eventualidades acontecem. Paciência!

Conhecendo a Lagoa do Carcará

– Você é de Natal, né?
– Sou sim.
– Nossa, São Miguel do Gostoso é muito lindo!
– Hummm, não conheço.
– E as piscinas naturais de Maracajaú, já foi lá?
– Errrr… não.
– Conhece pelo menos as lagoas do Rio Grande do Norte?
– Bem…

A long long time ago eu fui à Lagoa de Arituba, à Lagoa de Pitangui e à Lagoa de Jacumã. Tipo, há muito tempo mesmo. Mesmo! A mais recente, a de Arituba, acho que fui uns 9 ou 10 anos atrás, e quebrei a cabeça fazendo essa estimativa com base na lembrança de que eu e meu marido ainda éramos namorados quando fizemos essa visita.

Depois de um longo e tenebroso inverno com muito sol e calor, distante das lagoas e indo a Natal em viagens corridas de dois ou três dias a cada seis meses, finalmente coloquei os pés em outra lagoa: a do Carcará. Esse lugar lindo fica no município de Nísia Floresta, a cerca de 40 km de Natal.

A escolha foi meio que um “uni-duni-tê, escolhi você”. Eu estava super a fim de levar Luca para conhecer alguma lagoa e, olhando as fotos na internê, achei o lugar bonito. Além do mais, segundo diziam os blogs e sites de turismo, contava com a estrutura de bares. Ok, let’s go!

O acesso não é muito simples. Até Tabatinga é tranquilo, a estrada é toda asfaltada – e a vista na saída de Búzios deslumbrante – mas depois da primeira rotatória (a de Tabatinga) quase não há sinalização. Nessa rotatória tem várias pessoas oferecendo passeios de barco, de buggy e serviços de guia turístico. Como estávamos em dois carros e todo mundo sem saber que rumo tomar, contratamos uma pessoa só para nos guiar até lá. Depois da segunda rotatória (a que pega para Camurupim) existe uma estrada de barro do lado direito que já leva até a lagoa, mas essa estrada não comporta carros de passeio, apenas buggy e carros com tração nas rodas. Não era o nosso caso, então seguimos mais um pouco e entramos na segunda estrada de barro após a rotatória de Camurupim.

Essa estrada passa por uma vila de pescadores e não é uma reta, você tem que dobrar várias vezes à direita, depois esquerda, depois direita de novo… Quase um ziguezague! Mas enfim chegamos, e a beleza do lugar fez todo o trajeto complicadinho valer à pena. E como valeu!

O guia nos indicou o restaurante Paraíso Tropical, com cadeiras de madeira, almofadas, espreguiçadeiras, cerveja gelada e um pastel de camarão delicioso. Um minuto de silêncio para o momento solene em que algumas pessoas passam pelas mesas vendendo cocada: compre! Elas são deliciosas e eu me arrependi por não ter comprado outra para levar e comer mais tarde em casa.

No bar/restaurante só pedimos petiscos, mas para pedir almoço os próprios garçons indicam pedir com bastante antecedência. Segundo o rapaz que nos atendeu, os produtos são frescos e é tudo feito na hora, por isso se deixar para pedir perto da hora do almoço, você corre o risco de ficar com fome.

No dia que fomos para a Lagoa do Carcará estava um pouco nublado, mas não choveu e a água continuava quentinha, apesar do vento. A lagoa, aliás, é bem rasa e super tranquila para as crianças, embora em nenhum momento Luca tenha ficado sem a companhia de um adulto. Não sei se o volume de água oscila nos períodos de chuva e aumenta nessas épocas, mas no final de dezembro quando fomos estava rasinho e tranquilo.

Além dos bares, o entorno da lagoa também conta com estrutura de lazer, com pedalinho, caiaque, stand up paddle e passeios a cavalo. Não tenho certeza se os valores são padronizados, mas nós pagamos R$ 15,00 por meia hora de pedalinho e o mesmo valor pela locação do caiaque que um dos meus sobrinhos andou.

Mais uma dica é que, na ida ou na volta, reserve um tempinho para parar no Mirante dos Golfinhos, na entrada de Tabatinga. É bem possível que você não veja nenhum golfinho (vai que você dá sorte!), mas com ou sem golfinhos, a vista é de tirar o fôlego.

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