Sete Além é real?

Tem histórias que aparecem na vida da gente igual fake news de WhatsApp. Ninguém sabe de onde veio, mas todo mundo tem uma opinião. Sete Além é uma dessas. Um suposto outro lugar, parecido com o nosso, só que ligeiramente errado. Uma cópia mal impressa do mundo, um Recife esquisito, um metrô que não reconhece o trajeto, um ônibus que passa por ruas que não existem no mapa.

E a parte mais curiosa é que quase sempre começa do mesmo jeito. Alguém distraído vira numa esquina ou entra num transporte qualquer, olha ao redor e percebe que tem algo deslocado. Uma sensação de que aquilo é familiar, mas não é daqui. Gente que não sorri, que não responde, que não pisca direito. Uma atmosfera pesada, mas silenciosa demais. É nessa estranheza que muita gente diz ter sentido que estava em Sete Além.

A primeira reação costuma ser lógica: bati a cabeça, estou cansada, entrei no ônibus errado. Mas a segunda reação, quando a lógica falha, é outra. Será que eu cruzei para o tal do Sete Além?

O que é Sete Além, afinal?

A lenda de Sete Além cresceu na internet. Fóruns, blogs, vídeos, threads em redes sociais. A cada relato, mais detalhes eram acrescentados. A princípio, poderia ser só uma boa história, mas as semelhanças entre diferentes relatos chamam atenção. Pessoas que não se conhecem descrevendo o mesmo tipo de sensação e de cenário.

Coincidência? Talvez. O cérebro humano adora preencher lacunas. Mas também pode ser aquilo que a gente prefere não enxergar. Pequenas falhas na realidade, fendas que se abrem por segundos, e que algumas pessoas, sem querer, atravessam. O mundo é antigo demais e misterioso demais para a gente cravar com toda certeza que Sete Além é apenas invenção.

Tem quem defenda que é uma dimensão paralela. Outros juram que é uma camada do nosso mundo, como se existissem versões diferentes da mesma cidade. E tem, ainda, quem diga que é só simbolismo. Uma metáfora para o momento em que a vida da gente dá um salto inesperado, um deslocamento emocional que a consciência tenta traduzir através de imagens estranhas.

Relatos de Sete Além que deixam uma pulga atrás da orelha

O que mais fascina, ou assusta, são os detalhes repetidos nos relatos de Sete Além. Gente que diz que os prédios parecem mais altos e as cores mais opacas. O ar mais denso, quase abafado. Os moradores olhando pouco nos olhos, como se evitassem ser reconhecidos. E o silêncio… o sinal mais marcante.

A volta também segue um padrão. A pessoa, percebendo que algo está fora do lugar, toca a campainha, pede para descer, muda de vagão, pula fora do carro. De repente, tudo volta ao normal. A rua que parecia distorcida reaparece comum. Os sons voltam, as cores também. Como se o universo tivesse consertado um pequeno erro de impressão.

Se fosse apenas um relato isolado, dava para culpar o sono atrasado, a ansiedade, o GPS interno falhando. Mas, quando muita gente relata o mesmo tipo de experiência, a história começa a ganhar outro peso. Não prova que Sete Além é real. Mas também não encerra o assunto.

Sete Além é real ou é falha da percepção?

A ciência adora uma boa explicação racional. E com razão. Ela nos trouxe longe. Mas a própria ciência já mostrou que existem coisas que não vemos. Dimensões que não percebemos, partículas que surgem e somem, fenômenos que só conseguimos medir, mas não compreender completamente.

Então, quando alguém pergunta se Sete Além é real, a resposta mais honesta talvez não seja um não categórico. O mundo não cabe dentro das nossas certezas. E talvez seja exatamente isso que faz Sete Além ser tão hipnotizante. Não temos provas. Não temos dados. Não temos conclusões. Só temos histórias. E histórias, quando se repetem demais, merecem pelo menos uma escuta atenta.

Pode ser fruto da mente, de estados emocionais, de memórias confusas. Ou pode ser que exista mesmo uma borda do mundo que, de vez em quando, alguém tropeça e atravessa. Não dá para afirmar. Mas também não dá para descartar com uma facilidade muito confortável.

E no fim das contas, importa se Sete Além é real?

Sete Além pode ser só uma lenda urbana muito bem contada. Pode ser um eco de medos humanos antigos. Pode ser apenas um sinal de que nossa mente está mais vulnerável do que imaginamos. Mas também pode, e aqui fica a porta entreaberta, ser uma piscadela do universo dizendo que existe muito mais além das fronteiras que a gente conhece.

Talvez, o que nos atrai tanto nessa pergunta se Sete Além é real seja justamente a possibilidade. A chance de que o mundo esconda mistérios que nem o Google explica.

Real ou não, Sete Além nos lembra que a vida sempre guarda uma estradinha paralela, um corredor estranho, uma cidade parecida com a nossa, só que deslocada. E que, às vezes, a gente tropeça nela.

Se é real, vou deixar você decidir. Pode fechar a porta do assunto ou deixá-la só encostada. Até o dia em que, sem querer, você pegar o ônibus errado…

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