BBB20: como me rendi a essa bagaça

E o Big Brother chega a sua 20ª edição no Brasil. Eu preciso confessar publicamente que me rendi completamente a ela, apesar de não ter visto as primeiras semanas e só acompanhar através de vídeos pelo Twitter (continuo lá como @oxentemenina). Entregando de vez a idade, lembro como se fosse hoje quando começou o BBB1: foi o dia da minha colação de grau e meus pais fizeram um jantar em comemoração lá em casa. Na hora que começou o Big Brother, eu e minhas amigas corremos para a sala para assistir essa grande novidade na TV brasileira.

BBB20: meu retorno! (Não à casa, só a acompanhar o programa)

O último BBB que acompanhei de verdade foi o que teve a Grazi Massafera no elenco. Alguns anos depois acompanhei o que tinha Mariana e Saullo (um casal que se pegava e depois Saullo deixou Mariana de lado e começou a ficar com outra moça da casa). Daí um salto para 2018: de tanto falarem no Twitter, acompanhei lá mesmo na plataforma a edição da Gleice. E esse é todo meu entendimento de Big Brother Brasil.

A edição que teve a participação de Grazi foi a última que acompanhei por inteiro.

Mas porque começar a assistir novamente?

A presença dos influenciadores me deixou intrigada. De todos os participantes, a única pessoa que eu já tinha ouvido falar era a Boca Rosa, por quem já nutria uma certa antipatia desde a história da noiva que ela deixou na mão (eu meio que torcia para que alguém na casa questionasse sobre isso, mas não rolou). Os demais, dei uma breve olhada no Instagram, mas esperei o desenrolar das atitudes deles dentro da “casa mais vigiada do Brasil” para poder emitir qualquer opinião.

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Mas então, o que tirar de bom do BBB?

Passadas as discussões nas redes sociais com o argumento de “Vai ler um livro em vez de ver BBB” (eu sempre leio, portanto não me cobrem isso!), hora de se deixar entreter. Sim, não dá para fugir do óbvio: o programa é puro entretenimento, futilidade e alienação, mas essa edição é tão irresistível quanto uma boa série da Netflix.

Jornalistas alienadas? Eu e Carol estamos na mesma vibe (e a gente nem tem vergonha de admitir).

Ver o Big Brother com um olhar mais empático aos confinados e tentando entender a psicologia por trás das atitudes deles não deixa de ser uma forma de olhar para dentro de si mesmo: “O que eu faria se soubesse que fulano está querendo me ferrar?”, “E se eu fosse eu que estivesse sendo injustiçada dessa forma?”, “Como eu estaria se estivesse há semanas comendo só arroz e feijão?” são coisas que fazem, sim, a gente refletir um pouco e tentar se colocar na posição do outro. Mas não vamos ser hipócritas, é claro que às vezes esse olhar observador é pura desculpa, quando tudo o que a gente quer mesmo é gritar aos quatro ventos no Twitter: “Tira esse babaca do programa! #BBB20 #ForaVictorHugo”.

Livre do clima de “Sangue, fogo e labareda, Senhor!”, algumas percepções que tive dessa convivência alheia na casa:

1. Abuso psicológico não é mimimi!

Lágrimas, declarações de amor, conversas com o boneco decorativo da casa e um romancezinho bem insosso marcaram a participação de Gabriela e Guilherme na 20ª edição do reality. No dia do primeiro beijo do casal, uma frase da moça viralizou: “No meio de tanta maldade e de tanta guerra, eu consegui me apaixonar por você”. Nessa novela mexicana que se tornou a relação dos pombinhos, no entanto, a discussão principal que tomou conta das redes sociais antes da saída de Gui no paredão foi o abuso psicológico sofrido pela cantora.

Gabi e Guilherme BBB20 | Imagem: reprodução Gshow

Com olhares divergentes para o jogo, Gui usava da sensibilidade (ou da falta de personalidade) de Gabi para manipular a garota, que retribuía com muitas lágrimas e pedidos de desculpas, resultado de uma chantagem emocional não percebida por ela.

Vítima ou VTzeira, é fato que Gabi deixou sua imagem apática de lado depois da saída do amado do jogo e voltou a sorrir e brincar. Em toda essa história, ponto para Rafa Kalimann, que conseguiu identificar o comportamento de Guilherme e tentou abrir os olhos da amiga.

2. Política do cancelamento

Um dia alguém é a ‘Fada sensata’, no dia seguinte é ‘Cancelada’. No momento em que escrevo esse post, essa é a real situação de Marcela, a participante que ganhou destaque no jogo por ir contra ideias machistas do grupo dos homens e viu todo o seu reinado ir por água abaixo depois de se apaixonar por Daniel (ou melhor, ainda não viu e continua achando que é a favorita do jogo, graças à informação antiga trazida pelo namoradinho que veio da casa de vidro).

Marcela e Daniel BBB20 | Imagem: UOL

Independentemente de concordar ou não com a postura de Marcela, a real é que estamos, no geral, extremante intolerantes às opiniões contrárias às nossas e aos comportamentos que divergem do que consideramos ideais. Nessa história, podemos analisar dois lados: 1) Marcela está sim se aproveitando de uma informação e considerando o jogo como ganho; ou 2) Como um ser humano, cheio de defeitos como qualquer outro, Marcela se rendeu aos sentimentos verdadeiros que nutre pelo ator. Analisando por esse prisma, o de seguir o coração, seria justo ‘cancelar’ Marcela? É justo esquecer toda sua militância à causa feminista apenas pelo fato de ela ter se entregado aos sentimentos (ou à carência)?

Aguardemos o desenrolar dessa história e uma possível ida da médica ao paredão.

3. Passadores de pano oficiais

Fazer determinada coisa é errado, a menos que seja um amigo seu a cometer o erro, porque aí tudo bem, né? Isso é uma das coisas que mais vemos nesse BBB20, e nosso amigo amigo Daniel – o reizinho que veio da casa de vidro – domina com louvo a arte de errar.

Daniel BBB20 | Imagem: reprodução Gshow

Desde que entrou na casa o ator perde estalecas: fala sem usar o microfone, quebra regras olhando por lugares proibidos, comete vários erros e tudo que faz é pedir desculpas, mas continua fazendo as mesmas burrices. “Ah, tadinho, mas não é por mal!”, dizem os passadores de pano, encabeçados pela namorada Marcela. Então por que quando é Prior a fazer coisas semelhantes, o grupão cai em cima dele sem piedade?

Outra situação: Daniel erra e pede desculpas e todo mundo acha fofo. Babu erra e pede desculpas, e o que as pessoas comentam? “Nossa, que falso!” ou “Ele acha que pode errar e pedir desculpas?”. Ah, façam-me o favor!

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4. Machismo existe, sim!

Justiça seja feita, até agora saiu a maior parte dos machos escrotos que estavam confabulando para queimar as meninas dentro da casa, mas vários outros pontos nos deixam com aquele ponto de interrogação pairando no ar bem em cima da nossa cabeça.

Falemos de Felipe Prior, que parece incutir sentimentos conflituosos de amor e ódio no público. Prior faz comentários escrotos, tem o pavio curto e fica puto por qualquer coisa, já falou muita bosta que gerou comoção instantânea de #ForaPrior, e mesmo tendo a oportunidade de sair em alguns paredões, continua na casa (até o momento que esse post foi publicado). Do outro lado temos Bianca, que brigou com outra participante na primeira semana, ficou do lado dos machos mesmo sabendo que as meninas estavam certa e quase traiu o próprio bofe tentando pegar o namorado da amiga. Bianca foi eliminada.

Bianca e Guilherme BBB20 | Imagem: UOL

A discussão não é que Bianca não tenha merecido a eliminação (por mim, qualquer um dos três poderia ter saído naquele paredão), mas porque Felipe Prior mereceu outras chances e Boca Rosa não? Por que damos a desculpa de que Felipe está tentando melhorar e Bia não teve o benefício da segunda chance? Por que tanta gente está bradando Prior como campeão do BBB20 quando temos tantas mulheres incríveis, como Thelma, Rafa, Gizelly e Manu dentro da casa? Machismo sim, meus amores.

Todo dia um novo cenário

O mais louco de assistir essa bagaça é que a gente muda de opinião o tempo inteiro. Um participante se mostra sensato o tempo todo, mas basta cometer um pequeno deslize para todo aquele amor ir por água abaixo. Tem outros que a gente nem dá tanta bola, daí eles defendem alguém que a gente gosta e já começa a ganhar nossa simpatia. O favorito de hoje é o vilão de amanhã, e vice-versa.

Minha torcida, sem ordem de preferência, é para Thelma, Manu, Gi e Rafa, mas quem sabe as surpresas que nos aguardam? Posso mudar de ideia ou criar uma percepção negativa sobre elas também. O que quero mesmo é que uma mulher vença esse BBB20! (Mas tudo bem se não for Marcela).

Meu top 4 | Imagem: reprodução Twitter
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